Por um segundo, lembrei de tudo.

“Nada sei desse mar, nado sem saber. De seus peixes, suas perdas, de seu não respirar. Nesse mar os segundos, insistem em naufragar. Esse mar me seduz, mas é só pra me afogar.”

Um dia eu pensei na possibilidade de já ter sido abduzido e ter esquecido propositalmente o fato. A sensação hoje foi a mesma.

Eu vi minha vida, e durou um segundo. Tive uma sensação de risada, do tipo: “eu já sabia disso!”

Houve um tempo onde eu escrevi meu caminho. Todas as ruas que eu iria passar e as esquinas difíceis que eu teria medo de olhar antes de virar – no escuro, e as que eu viraria sem olhar mesmo.

Neste mesmo tempo anotei todas as minhas evoluções e os sentidos que eu precisava evoluir. Eu sempre fui corajoso, então, sem pensar duas vezes me dei um grande desafio. Hoje eu penso nisso e observando os meus desafios pessoais, onde eu sempre me arrisco mais do que eu poderia aguentar, mas no fim, aguentaria mais, comparo e entendo que eu não me daria um desafio qualquer.

Fiz também uma lista de certos e errados. E as escolhas também seriam constantes. Vale lembrar que o errado pra mim, pode ser certo pra você e o contrário também é possível.

Nesta época, me despedi de todos os que amava, alguns iria rever e outros, nunca mais. Mas a eternidade é sempre uma caixinha de surpresas e o que passamos nunca deixará de existir, dentro do nosso universo particular. Por isso comparei com uma caixinha, da pra guardar tudo.

E entrei nesta longa apnéia. Que nada sei.

Este um segundo foi muito breve, já não recordo as sensações que tive. Terá sido uma falha na matrix?

Nada sei…

Nada sei…

Nado sem saber.

Igor Florim