O que houve com a verdade? Com o tempo dos negreiros assassinados num campo líquido que um dia soubemos. Esquecemos. Houve um súbito momento vulgar e irrelevante, com consequências desconhecidas. Seria então a coragem dos homens que fariam o futuro? A continuação dos fatos e histórias só se darão se eles tiverem voz ativa?

Sinto vergonha pelos artistas calados. Pelos artistas vencidos. Pelos não artistas. Artista sem voz nunca fez arte! Artista sem coragem nunca fará arte de verdade! Existe uma ponte bem próxima entre os artistas e os vendedores de foto. A foto se perde, a vida acaba. Os artistas se perdem, o ofício os nota.

A solidão do verbo.

A discrepância de um posto de gasolina. Por onde anda o amor? Cadê os números da suíça onde nada é oriental. O lado esquerdo do meu cérebro. Silencioso. A arrogância da ganância onde tudo é posto à frente. De que valeram os 500 anos? Quem morreu se libertou? Quem ficou… ficou.

Assombrosa quietude. Um dia o soluço engasga quem nunca tossiu pra ver o que precisava sair…

E nesse dia, quem falou já estará longe… nem melhor nem pior. Mas, sempre em frente. E o problema ficará pra quem não cuidou de resolve-lo.

Quem protela a vida, é protelado por ela… e nunca mais poderá falar.

A cortina se fechou.

Igor Florim