Me vi finito por falta de opção. Areia pra deixar cair a ampulheta. Miragem sem sinal de vida, sobro sem retorno auditivo – a porta bateu que bateu. Sem escolhas, o sábado à noite era o momento ideal para ajuda-la. As lembranças de muitos verões, passeios de carro, tardes na piscina, bebidas, conversas, restaurantes japoneses, baladas, filmes na infância – na época em que se compravam filmes piratas que vinham em plastiquinhos, descobertas.

Me vi brilhantemente inquieto, na tristeza havia a luz e nas apresentações o suor. Dar-te-ei o meu melhor: nenhum arrependimento além do de sempre. A inspiração para a escrita precisa ser natural, sem muitas delongas ou obrigações. Por vezes me peguei feliz pelo que tenho escrito mas me cobrando para fazer mais. Resultado: dias sem digitar. Comecei lembrando de um domingo com Cida Moreira, sobre as cartas de Caio Fernando Abreu, naquela época a máquina de escrever fazia o trabalho, mas apenas citei isso, para pensar: quando o lápis ou a pena ainda eram utilizados? A sensação de escrever deveria ser a mesma de digitar uma mensagem importante, e para receber, a mesma de ouvir um audio que você aguardava com ansiedade.

Pra onde irei? Hoje, vejo apenas os passos que dei. Nada no presente e nada do futuro.

17 graus de um verão sem avanços ou do vigéssimo primeiro noturno de novas respostas: soledade.

Igor Florim