Só agora observo, que as coisas na vida vão mudando da água pro vinho de tempos em tempos, e o quanto tenho tido prazer em notar esses obstáculos enquanto tenho caminhado, é sem igual.

Quero antes tentar falar de coisas boas, viver tem me feito muito bem. Engordei, literalmente, mas me sinto tão mais completo com o que sou, o meu gênero, minha paz. É mais do que qualquer parâmetro de beleza, é se aceitar. Só viver. Menos um rótulo na vida. E falando em rótulos, hoje grito com toda a força do mundo que sou livre pra simplesmente ser o que eu sou. Eu aprendi a me respeitar com estes 22 anos.

Ando na janela pensando tanto: o ano quase acabou. Hoje a noite fui ao mercado, com uma tranquilidade na alma sem igual – tudo estava no lugar. Aceitando e entendendo os processos e o tempo da vida, com muita dificuldade, mas entendendo. Ir ao mercado, poder comprar o que tenho vontade de comer, escolher, caminhar, olhar pessoas, procurar as sessões que temos mais curiosidades – velas, garrafas, potes, refrigerantes, padaria e qualquer outra coisa aleatória. Temos habitos em nós que são pequenas descobertas. E voltei pra janela. Desta vez acendi um cigarro. Não fumo, mas aquela cena valeria a pena só pelo momento e o que eu poderia absorver com ele existindo em mim. Ventou, choveu e do quarto andar conseguia ver muitas outras janelas ao meu redor – histórias, loucuras, hábitos, culturas: o que alguém pode te oferecer de mais sábio, e vi. Vi minha vida. Me vi neste mundo inteiro. Vi meus sonhos aparecendo e morrendo, coisas acontecendo no meu infinito particular e as transformações quebrando em mim o que era rocha!!! Me dando voz pra gritar o que deve ser falado. Hoje respirei. Deitei na cama com calma, sentir o toque dos cobertores gelados também era neste momento, um apogeu, um tsunami. Tudo se intensifica com toda a força que há, passa a existir um único foco, nada mais é disperço, é apenas eu. Apenas o que sou. Nada sem valor importa. A vida vale a pena.

3 rosas brotaram no teto desse apartamento esta noite. Não gritei. Foi rápido mas, incrível.

Rumo à vida

Corpo à alma

Vasão ao desejo

A práxis da minha epifania moral. Ainda em mim.

Não se acabou.

Nunca se acabou.

Eu não conclui até então, mas a transformação aconteceu e não consigo explica-la. Na verdade, não preciso. É o que é, sabe? A importância não deve ser demasiada, a vida se ampliou.

Lua assim, nem sempre teve por aqui. Lua de Bilbao…

Igor Florim