Hoje, 8 de janeiro, muitas coisas existem na minha vida. Tenho tido durante esta tarde uma sensação de incômodo. Talvez eu esteja colocando muita energia na tarefa férias.

Em 1981, Cida Moreira gravou o álbum Summertime, nome que carrega tatuado em seu braço. Um dia eu devo falar desta canção, mas hoje vou falar de Kozmic Blues. É também uma faixa desta obra e ela no início da música, antes de qualquer acorde ser encostado, diz que na adolescência as pessoas falavam que tudo na sua vida ficaria bem e ela seria feliz quando se tornasse adulta. E eis que tornou e se decepcionou com o seu primeiro homem, frustrando-se por esperar até “a hora certa”. Depois, seu problema se tornou conseguir trepar em paz. Em seguida, se resumiu em conseguir algum dinheiro. E um dia sozinha numa mesa de bar entendeu que nunca ia acontecer nada. O tempo todo tinha alguma coisa errada e os problemas iam sendo trocados por outros problemas. Portanto ela termina dizendo que não importa o que ela faça, ela não vai ganhar a guerra.

Depois de 6 meses escutando essa canção, entendi em mim algumas verdades que ela narrou naquele dia, em 1981. Quero arquivar neste escrito, na tentativa de entender minimamente o tempo quando daqui uns anos ele for lido por mim (talvez isso seja numerologia dos anos, conexão astral, karma…) e eu venha por assimilar ou conseguir fazer algum tipo de ligação com os eventos e fases da minha vida: tem sido cada vez mais difícil. Tudo se tornou mais difícil. A guerra foi mudando mas as minhas sentadas em bares por São Paulo, também “sozinho”, me trazem uma lucidez tardia sem tamanho. E enxergo exatamente isso.

Eu conheço a Cida Moreira há quase 3 anos. E como não vivi em 1981 identifico agora que suas canções me atravessam sem tamanho desde que a conheci. Me transformaram, me auxiliaram, me exclareceram. Digo também, que além de amigos nos dias de hoje, sou fã incondicional de todo o seu trabalho (após ser indicada por Ademir Esteves e nossa narração brechtiana que se concretiza na imagem de Cida) e tive preciosas fases – meses, em cada canção. Algumas ficaram, outras viveram por muito tempo e adormeceram, mas falando de sentidos ou explicações para o que acontece com o tempo em sí, o que ele representa e os eventos curiosos que poderíamos chamar de erros na matriz eis que Kozmic Blues foi um start. Uma resposta ligeira e talvez divina veio me informar que através dos meus profundos mergulhos pessoais me proporcionei sentir algo que eu vim saber só quando este raciocínio se conectou com Summertime.

Um lapso no tempo. Um anexo de vida. Definir-ei o intervalo entre 1981 e 1995 quando este sagitariano que sou, nasceu para só agora, nascer. Essa dúvida sobre o motivo de eu me sentir velho e gostar de coisas/pessoas velhas e artisticamente me instigar pelo que aconteceu antes de eu nascer. E é agora que Summertime talvez fará algum sentido pra quem um dia, racionar alguma explicação sobre este escrito e tentar conectar com o album em questão. Entre muitas situações como Nelson Gonçalves dos 7 aos meus 10 anos de idade, quando meus pais ficaram preocupados por eu só escutar ele, achei um ponto em comum. Uma ligação que talvez seja maior do que imagino e seja a minha ligação com a arte propriamente dita. O motivo de eu ser artista, talvez… mas há alementos em comum como por exemplo o estilo de sensibilidade, emoção, interpretação, energia, vitalidade, humor e estranhamento.

Sei que nem tudo na vida faz sentido e talvez hoje tenha se tornado um dia esquisito apenas para que este conto fosse criado. Sem todo esse questionamento e movimentação dos meus pensamentos e princípios, eu não chegaria aqui. Que afinal de contas noto agora que sou jovem que este lugar é lugar algum. E mesmo assim ainda não me questionei o bastante para explanar coisas como: onde devemos chegar na vida? Por que estamos onde estamos? Quem devemos ser? Por que somos o que somos? E essas perguntas, aparentemente, seriam solucionadas com um final de tarde, sozinho e relaxado, numa mesa de bar na Santa Cecília. Tudo isso foi sobre intuir e duvidar, como se eu fosse ver algo parecido à uma verdade sublime em meio à minha mente abarrotada de pensamentos.

Muita coisa acontece aqui dentro.

Mas ainda assim, não há a necessidade de que este conto se torne valioso ou coerente para quem o lê, aqui quem escreve é alguém que de tão igual a você, procura entrelinhas para tentar se diferenciar. Algo deve ser notório e verdadeiro… não aceito mais meias verdades ou se molhar só até o joelho, pois isso não seria um mergulho profundo.

A chuva não parou de cair nesse domingo mas mesmo assim eu me sinto muito produtivo e lúcido…

Talvez seja exatamente aqui que eu precise chegar. Sem incríveis rumos deveria seguir acreditando que o incrível seja o agora e se a vida vir a ser uma linha reta nomeada como destino, tudo será sempre igual. E só agora entendo que eu escrevo para que não suma de mim algo ainda sem resposta… quando a resposta está exatamente no meio do caminho. E encontrei agora o meu eixo nodular norte: libra. Se eu não duvidasse de tudo, essa intuição/conhecimento seria visto como uma verdade, mas, ainda que no fundo, continuo a duvidar.

Olhar de dentro o que acontece bem dentro, ainda tem mais valor do que qualquer crença, dúvida ou verdade absoluta que eu venha trazer para a minha vida (ou haverá chegado por obra de algo que não é aleatório?). Me encontrar tem sido difícil, reconvexo e desconjuntado: meu corpo e minha alma brigam sem que eu perceba, quem dirá domine. E no meio disto estou eu… aqui… talvez existindo apenas virtualmente e nunca entenderei sentimentos como amor ou preguiça.

Sendo essa a última dúvida: pra onde estou indo, agora que me vejo diferente?

Igor Florim