Fascinante, forte e independente como talvez só o mar consiga ser. Mas ela, primeiro atrai pra só depois, começar a arrastar num ritmo contínuo e com força mantém o nariz em pé para permanecer assim, até você quase nem existir mais. Sem mais peles no meu corpo: choque anafilático percorrendo no que um dia foi um apartamento no quarto andar, o quintal do Juninho, o mirante da unaerp e a casa do soldado… sem mais pretenções nessa vida, sem mais.

Retornei de um longo caminho pra só agora não ter mais medo de recomeçar. Deixar para trás e nunca mais ir ver… e mais uma vez falando sobre fingir, essa seria uma das coisas da vida que eu finjo. Com a cabeça lá naqueles dias em que caia chuva do céu e fingindo que precisávamos de abrigo, parávamos o carro em baixo de uma árvore. A gente se escondia de nós mesmos… ou de coisa alguma, o que seria a mesma coisa.

Tenho tido coragem pra experimentar a vida e a única coisa que mudou, é que agora eu quase sei para onde eu vou. Eu quase sei exatamente para onde eu vou. Nunca mais só segui o fluxo do trânsito… parar o carro, pular pro vidro do carro ao lado, fixar teu olhar olhar em quem passa de moto, entrar numa batalha de Star Trek e virar rumo ao pão-de-açúcar sem dar setas no volante. “Santa imprudência o que esta jovem fazia enquanto dirigia!”

Levou-lhe no bolso, dormiu como se em um travesseiro e leu num terreiro: “Por que todos andam rumo à contramão?”. Haviam sons misteriosos em frente à caixa. Teresa gritava como uma loba! Revidaram gritando: “Talvez seja outra pessoa, Teresa!!! Vaza dessa raça, saia dessa lugar, você é quem crê que a vida é um poema.

Reparei hoje, bem na hora do almoço – sei lá que ligação tem nisso: entre remédio e veneno, o que muda é quem extrai a dose.

E finalmente ficou claro que, o que me fez mal ha muitos anos atrás, hoje, pede pra que eu faça o bem. O bem particular, o bem pessoal, o bem à ele. Curiosas voltas da vida nos levaram para aquela conversa onde, entre poucas palavras, notei o quanto me projeta em sua vida para se promover e também o quanto lembrou de pessoas que não fazem e nem farão parte do que eu sou. Eu não faço a mínima questão de tê-los por perto. Me livrei. Sobre querer distância. Devo me acostumar com isso. A projeção à um teatro, o encontro inimaginável, o percurso próximo, os saudosos acordes.

Lembranças de noites projetadas na calçada, com uma moto estacionada em baixo da árvore e sonhos adolescentes. Ainda bem que aprendemos coisas e não somente sofremos, pra hoje conseguirmos dizer: eu me libertei. E em poucos segundos a vida volta a te dar lucidez: “comigo não, fiu! Comigo… não.”

Igor Florim