As pessoas seguem tristes em suas vidas. Nada muda. Uma sensação de vazio sem junção com qualquer possibilidade existente (o vazio nesta noite deixa de ser possibilidade e nenhuma ideia pode ser desperdiçada).

O trajeto até o metrô, as ruas lotadas de gente encarcerada, com solidão exacerbada ou cias completamente aleatórias (ninguém se completa mais).

Completamente sem sentido e morta em sonhos, palavras e ações. Literalmente morta… pendurada por um fio de vida que luta pra não deixar de ser fio e estourar na marcha que te arrebenta.

Só se serve de uma rotina porque ainda é tempo de lutar mas em outros dias, nenhuma possibilidade será vista. Mesmo ela não sabendo que seu espaço no mundo sempre existiu. Hoje segue vago. Absinto e neutro. Rugas de Crivela bem naquela pele. Perfume de limão açucarado em troca de olhares – ninguém se viu.

Ritmo algum existiu pra todo o gado retumbante que seguia para lugares quaisquer. Viviam por motivos inóspitos ao planeta terra. Atrevidos, decolaram e ninguém correspondia mais à olhares sonhadores. Pois eles eram agora o sonho se dessem um nome aos teus filhos.

Plumas, salão chinês e tudo isso já se faz uns 10 anos. Seguindo uma trilha sonora para sua loucura, ela sempre quis ir à praia. Respirou e uma pedra no seu pescoço viria sobre encomenda pra dar força ao santo. Mais tardar na sexta-feira ela estacionava na praia, ainda não era nem 6 da manhã:

– “Agua de côco à vontade”, ela pensou.

Após levar em uma bolsa térmica com gelo e muitas outras bebidas (a maioria refrescos). Ela pensou inclusive em dormir dentro do carro. E eis que continuando sem sentir nada, qualquer sensação de viver ou experiência, aventura, adrenalina seria um sinal de vida – agora encontraria motivos. Viver não é de um todo ruim, e sofrer se faz necessário. A provação e a coragem de criar músculos no seu corpo, só pra aguentar mais peso em sí e continuar superando o que ela própria havia se tornado.

É muita confusão e nisso tudo, estamos como em um amuleto no pescoço: tentando sentir alguma brisa do vento. Mas a maré se inverteu e, ela nunca mais foi a mesma.

Anter de partir escutou um grito que expulsava uma criança-humana daquela existência. Ela encomodava muito por onde passava. Seu jeito de viver, o modo como brincava com seus dinossauros e como dirigia o triciclo em intensa atenuídade nos movimentos, tudo muito vivo e obviamente essa vivacidade exalava sensações que humano algum havia sentido. Algo extraterrestre ou submerso, o que seria quase o mesmo e notaria um desperdício.

Essa criança um dia perguntou o nome de um espírito e começou a andar ao seu lado. Seguindo seus passos mas ainda em cima do triciclo contagioso. O espírito, é claro, tentou não responder ou olhar para a criança-humana que não precisava disso para se comunicar pois usava uns lances da alma. Por fim, acabaram seguindo o mesmo caminho (sem causar dano um ao outro), atravessaram umas praias, pularam algumas ondas e a criança-humana sentiu fortes dores e entendeu que só agora sente a mágoa e a tristeza do mundo. E ainda assim ela não parou de mergulhar fundo e sentir para ter prazer. Intensidade… uma loucura com trilha sonora… E pra fim de obra, a criança-humana era na verdade extraterrestre ou extraterrena – ainda com bases em especulações! E era difícil e proibido qualquer tipo de toque, simplesmente não recomendado, obviamente.

A pedra de hoje é levemente amarelada, com seu meio branco (como leite) e umas extremidades alaranjadas (quase queimadas). Ela o guiaria em todas as horas e protejeria também, para nunca desistir de suas aventuras e de seu triciclo-sentimental.

A criança fugiu num amanhecer encantado e agora consegue olhar nos olhos. Há muita coisa curiosa nesse momento e ela tende a anotar tudo pra não deixar nada passar. Talvez pra não sumir de mim, ou só especular. Ou fugir (se a mágoa for de outro planeta).

“Procura-se poetas!!!” Dizia o anúncio que todos os garotos daquela praça leram nuns panfletos. Agora danou-se tudo e, o tempo verbal se mostrará errado na gramática. Vertigem na unha: “Ela está podre e vai cair, fuja da jaula como um leão pra que ninguém mais tente te prender outra vez. Agora, vai. Eu te amo.”

E enfim a energia da criança humana foi entendida e sentida: aquela exaltação toda em cima do triciclo faz agora, todo o sentido. Afinal, aos 4 anos de idade, um triciclo é praticamente um disco-voador e a criança, então, voa completamente ligada e atenta nos caminhos: um completo viajante. Tem seu santo forte e seus mergulhos que desde o seu nascimento, não foram rasos.

“Decolar!” – ele gritou ainda exaltado de alegria.

E imediatamente todos os comandos se fizeram obedientes à isso. Ele nasceu pra o que era e sabia ser um bom humano. As núvens foram se abrindo tarde da manhã naquele dia. O apanhador de sonhos tomava agora os primeiros raios de sol, depois de muito êxtase noturno. E pleno domínio de suas ações. Embora contudo, era atingido muitas vezes pelo mundo, mesmo nos dias mais tristes, e ele seguia tão bravo como um leão em cima de um triciclo (agora velho) que ninguém sentia seus disfarces. Tudo era uma pura diversão e ele nunca deixou de decolar fundo no meio dos astros do espaço. Mergulhos não seriam necessários durante um bom tempo.

Igor Florim