Tantas coisas se foram…

(Mas só tarde da noite eu encarei o distante.)

Continuaram me falando sobre as chegadas quando o meio do caminho me dizia exatamente como agir, ledo engano deles.

A visão se ampliou sem a respiração… Quanto tempo faz?

(Imaginando o que esta sumindo…)

O medo de que coisas sumam. Socorro… coisas sumindo. De mim. De dentro. Onde iremos parar?

Deixei ir.

Fui embora.

No lugar de toda a vazão do sentimento, me peguei livre. Talvez eu tenha ficado nesta mesma noite de inverno, cerca de duas horas na janela. Eu consegui ver tudo.

(E fiquei na janela)

Me vi. Emocionado e sem nenhuma prisão. Não era tempo de nada novo, era o tempo da existência. Algo que converse com os ventos, que exploda nos olhares e se mantenha vivo.

As coisas mudaram tanto que observei uma menina perdida na sua também janela. Alguém tocou a campainha, mas ela não estava em casa.

Ela estava livre…

(Se debatendo em liberdades…)

Talvez uma viagem ou um novo país pra morar. Uma necessidade de ser de outros lugares, de escrever sobre o que viu durante o dia, nas noites, e falar sobre o que viu durante as noites, para aqueles que nunca foram à padaria às quatro da manhã em pleno dezembro chuvoso e gelado, ou nunca acordaram também às quatro mas agora pra ver o pôr-do-sol.

Impossível deixar passar as sessões-malditas do sub-solo do velho teatro do interior. Lembrei de quando eu tomava chuva e deitava na grama molhada… de quando tudo era natural, nenhum medo, só eu e a liberdade de se viver criança.

Anotei tudo, fiz questão de conferir se tinha deixado alguma tomada ligada e tranquei a porta. No bolso coloquei rapidamente uns lembretes pra memorar algumas saudações (quando as lembranças falharem…)

Dizem que era na Lapônia, mas eu narrei o salto daquela garota pra novas vistas e depois em outras novas vistas e a velocidade só aumentava, tudo sem controle e desgovernado! Salve-se quem puder!

Misericórdia.

Ela acordou e tava sonhando.

A gata dela caiu do terceiro andar do prédio em que morava. Tava lá, gritando.

Vi um garoto me observando de uma outra janela, mas a menina permanecia num sono profundo. Até que bateram na minha porta, e era ela. Ao abrir ela se virou ao jogar rapidamente uns bilhetes no meu rosto. E nunca mais a vi. Eu também queria ter ficado sabendo de mais alguma coisa, talvez eu escreveria aqui agora.

Mas procurei tanto que cheguei a perder o caminho de casa. Fui muito longe… das horas em que se torna difícil retornar.

Quase me esqueço, os bilhetes estavam vazios. Em branco, digo. Tipo coisas nulas… maquiadas, limpas… sei lá. Deixei no chão mesmo, tive medo de ir mais longe.

A propósito, tenho saudade de quando morava lá. As janelas nunca são iguais as anteriores…

Foi quando olhamos juntos para as marcas. (Todas as pessoas). Pro que era rabiscado em intensidade, marcado como um boi selado em seu destino. Foi muito pra mim…

Ou talvez, não era pra ser nada disso.

Igor Florim