Um dia afogada em cargas d’água a pequena semente iniciou seu destino rumo à pequenos solavancos traseiros que a empurraria (desacreditada mesmo).

Nem sempre pra frente e um dia afogada se via em cargas d’água aos prantos no seu pequeno destino. Nunca desistiu de tentar e de tanto dormir e acordar, começou a amanhecer mais forte.

Lembrava dos mergulhos de um tempo em que se molhava com as cargas de águas que não pertenciam ao seu interior. De tanto absorver sensações liquidas alheias, inflou (ao invés de inchar) e começou a boiar.

Era na verdade, mais leve do que sempre pesou em seus ombros. Simplesmente sem entender, deixou quase toneladas afundadas em becos sem fim. Podres. Sujos. Trairiam suas defesas.

Subindo aos prantos começava a perceber que o fim da água se aproximava. Restava agora o trajeto vazio e repleto de neutras possibilidades, no céu de lugares que separava o mar (já deixado pra baixo).

Voava. Começava então o plano dela que, não mais apenas semente, agora brotava de si o que era do mundo e não cabia protegido no peito. Trocou o escudo que formava a casa daquela semente e de broto virou luz.

Ninguém mais queria tocar. A percepção seria absorvida pelos olhos e se espalhava por todo o mundo, quando em 2018, acordou no ano dois do seu ciclo. Confusão. Caos. Nunca imaginou e, estava preparada.

No mais aleatório epílogo de um trecho sem prólogo, ela sem se proteger, era agora o que sonhou: de semente à liberdade. Sem mais prisões. Tudo continuava igual por dentro.

E por fora, sem mais o custo do peso dos escudos, notou os já também velhos músculos que fadigados por sustentar tanta prisão, agora se recuperavam em força. Não mais defesa.

O mundo compreendeu…

Igor Florim