Buscando os traços que o passar do tempo deixa percorrido bem na nossa frente, fomos seguindo com o fluxo as normas que os segredos exigem em sociedade.

Naquele tempo, era proibido tudo o que não estava escrito na madeira talhada. A madeira talhada (pra quem não sabe) foi um velho totem da Aldeia do Tempo, que arrastava como uma dor o percurso do tempo em cada um dos (por enquanto) jovens solteiros.

Eles construiam por alí suas vidas e perspectivas, idealizando com suas imaginações que um dia teriam uma forte família e uma enorme casa com todo tipo de luxo e conforto que seus próprios braços e mãos fariam – com muito estudo.

Tinham agora uma oportunidade de construírem aos poucos suas próprias casas e eram sempre nítidas as idades dos solteiros pela aparência externa de onde eles individualmente moravam. E era também muito importante a competição contra a casa dos seus vizinhos.

Todo tipo de detalhe externo das casas daquela vila, precisava de um projeto detalhado antes de sua execução. Valia a pena perder algumas horas no dia para apenas pensar. Pois tudo o que não fosse pensado, poderia surgir (pela graça da Madeira Talhada) na mente de um outro solteiro da vila, o que diminuiria seu possível futuro destaque entre os vizinhos.

Nessa altura, tudo era futuro. Ninguém pensava no agora, pois não acontecia nada de importante nunca, pra ninguém. Por mais que quase todos os solteiros trabalhassem duro em suas próprias casas, todos sonhavam que no futuro algo aconteceria, mas ninguém (pela pouca idade e vivência) sabia contar o que aconteceria de bom quando cumprissem – com as regras da Madeira Talhada, seus projetos externos de construção e decoração para suas casas.

E, nada nunca mudou. Sem compreender o passar do tempo, poderiam se ver velhos ou mortos do dia pra noite, o que custaria uma completa devoção durante sua única e breve vida à algo que eles nunca alcançaram. Cegos. Mudos. Fissurados. Foram programados pra cair, mas, nunca desistiram.

(Até a queda)

(Pra tudo, pense muito)

(Quando errar, tente outra vez)

Igor Florim