Qualquer coisa poderia ser dita. Mas esperou por anos, pra só então perceber que qualquer palavra conseguiria cumprir a sua missão de falar. Apenas falar. Nada mais. Era então (com tudo isso acontecendo) dia de se vestir. Renda de circo e veludo molhado. Nunca houve naquele lugar a grande corrida contra o tempo, nem crença que só limitava e não deixava escrever, sem ideias brandas, só coisa torta.

Fogo em linha reta pra dentro do meu peito. Atirou várias vezes, mesmo protegido com armadura e tudo e dançando no vento que a alma tem, apareciam as brisa que resfriaram e deixaram escorrer… tudo o que se esvai, pinga, cai, pra conseguir sentir de verdade. Sem pensar duas vezes, ele foi saindo (de fininho), indo embora pra fora, seguindo pra frente. Brecha que me enterrou sem dó, luzes apagadas na terra, só espinho, alívio em imersão desesperada. Oportunidade de dedicação. Apenas feitos arquivados com muito registro do nada que todo mundo queria fazer. Desacreditado foi parando… parando… parou.

Tudo derramado

Esperou a sua vez

Acabou forçando a barra

Com indícios de uma nova lua cheia, tentava a todo custo se acalmar. A casa de piso frio, a escada que circula, sobe pra dentro e sente bem fundo. Ilusão assim que for dormir… sem forças pra mais nada. Algo saía do controle, como uma criatividade que recorta na alma o que era borrado, mancha o que era cor e garimpa no tesouro a falta de valor nas etiquetas de preço.

Limpou na ferida o acúmulo do que a cabeça tanto pensa… soltou pra longe, sem mais apegos apenas liberdade. Luz nas trevas, sopro que rasga, coloca à prova, suspende. Que tempo foi esse? (O de acender? Soar ruídos, resgatar palavras e disperdiçar permissão?) Tava louco, completamente lúcido embriagava o rancor, só sentia saudade. Tardio. Aconteceu tudo tarde demais. Pobre garoto, não soube lidar.

Pedir perdão

Sempre recomeçando

Um momento e tudo mudou.

Igor Florim