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Do mundo em si, ele foi encontrando cada vez mais as causas nos seus feitos. Tudo num desenrolar dinâmico e equilibrado – dependia só dele (cada vez mais). Da arte de tacar pedras com mãos que também prendem, braços que com força espremem um pedaço do  corpo (castigo na alma), dentes que mordem, unhas que cortam. Tudo aos pedaços.

Seguiu com um aperto no peito: era agora a vez do coração acelerar o batimento que faria ele correr – pressa na vida, jamais um rumo, pouca voz e muita fala, berrava, aos prantos… tudo líquido até evaporar, nunca gelo apenas fogo. Chama por todo lado, só pensava nisso. Brasa quente que derreteu os pés, joelhos, munhecas. Nada pra se apoiar.

Abrigo em outro lugar

Procurou bem dentro do mundo

Universo liso só deixa cair

Parou de funcionar. A poesia era um caminho sem volta… foi sentindo tudo forte demais. Aprendeu a chorar num fluxo de lavagem (limpando, limpando, limpando), saiu tão diferente que não se reconheceu, depois do susto agora apenas ria. Bravata vencida e processo de fusão: ele era tudo o que poderia ser. Crenças limitadoras. Foi embora.

Sumiu para o sempre que vivia

Peito pra fora na corrida que travou

Desperdício de emoção

Se deu conta que só trocara os desafios, continuando a se machucar… automaticamente as pedras voltaram. Os braços que prendem e mãos que apertam também… se viu definhar novamente e decidiu não mais ceder. Sem planos, apenas fluxo… por dentro não entendia pra onde iria, mas resolveu aplicar um perdão pessoal. Foi difícil. Lento.

Do que prendia se libertou

O dia começou tão diferente

Chorou porque quase não se libertou

Foi por pouco. Por pouco não tacou a chave de sua alforria no rio. Rio-bosteiro, sujo, atolado. Deixaria ali com tudo de ruim que o mundo reciclava… a ilusão de viver foi tão grande que ele não enxergava. Foi por muito pouco. Até suspirou bem fundo quando percebeu a atrocidade que faria consigo. Sonhos encerrados. A vida passaria até acabar.

Por que você foi tão longe

De momento em momento tudo muda

Começou a acreditar nisso também

Igor Florim