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Tem dias que venta muito e se eu não me atentar nas janelas, as cortinas podem ficar penduradas para fora do prédio no terceiro andar. Completamente soltas, pela avenida fazem um alarde – coisa de outro mundo, grito pra fora, rugido muito forte.

E dos dias que não ventam nada, elas continuam lá: poeira por todo canto, tudo imóvel, pausa sentimental na minha vida. Foi uma oportunidade para aprender mais de mim mesmo, realmente agora sei onde vim parar.

Estou com a pele “descascando”, como dizem. Mas na realidade, tomei muito sol e passei pouco protetor solar. Não tem erro: vai ter pele por todo canto do studio. Acho que gosto das coisas que vão saindo e nunca mais voltam

Não voltam porque tudo mudou

Pele morta com pele nova nunca mais se reconecta

Cheguei a jogar até água no chão quando limpava pra agora tudo ficar com cheiro de lavanda. Tem coisas na vida que nunca pensei (e agora são o que sou) e pra todas as outras coisas, dispensei o que fazia muito sentido. Na verdade me desprendi de qualquer sentido

Pra só agora eu ser eu mesmo

Peguei o meu tempo na minha mão (e nunca mais soltei).

Igor Florim