Chuva e muito frio enquanto uma festa rolava no cortiço

Desci as escadas correndo em busca socorro médico, mas a festa não parou pra socorrer o meu amigo.

Esperei sem cessar

E quando tudo parecia ser só uma questão de esperar mais ainda, me vi voando pouco a pouco (com uma sensação de despedida)

Fiz tudo o que pude

Aquele mundo era um outro mundo… o passar do tempo já não se contava e outros tipos de relações importavam mais. Coisas de outro mundo.

Às vezes não controlamos nada

E nessa altura do breu que era dia e também noite, sem conseguir mais pousar, fui voando sobre aquelas cabeças e quartos imundos até praticamente sumir: com pouco esforço ninguém mais me via.

A primeira vez da minha vida

Fui percebendo (ao observar as euforias de dentro do meu corpo) que meu corpo se exaltaria num voo bem mais complexo do que o que me levitava até então e foi quando percebi que deveria deixar alguns primos pra traz por não conseguir traze-los comigo.

Voei e deixei no lugar tudo o que já estava lá

O voo foi um misterioso fluxo que desprendia de mim quase tudo o que aquela experiencia havia grudado. Pele em carne viva, olhos ressecados e sangue escorrendo pelas unhas.

Chorei muito enquanto tudo foi caindo

Percebi que coisa nenhuma precisa ser nossa, pois algumas experiências conseguem jogar pra longe o vazio que o inverno sempre traz.

E dentro da minha cabeça, veio como um presente (só depois de ter abandonado e esquecido) a lembrança de um reencontro naquele velho corredor.

Pousei e foi como se o mundo tivesse me chacoalhado só pra eu ir pra bem longe e te ver. E realmente compreender onde te achar.

Seus olhinhos já brilhavam todas as diferenças de um outro mundo que era tão humano quanto o do passado em que estivemos.

Mas sei que nos veremos em breve.

Jamais te esquecerei.

Igor Florim