São quase sete da manhã

Eu amo quando o sol vem me dizer bom-dia

Essas noites terminam assim, comigo bem acordado

O astral está uma loucura

Há uma guerra que não aceita o armistício

E eu não perco batalhas, então estou trabalhando nessas coisas

O dia por aqui já se estabelece

Tenho muitas coisas para fazer

Antes de tudo vou correr por alguns minutos pelo bairro

Estou tentando retomar o ritmo

Mas tudo é um processo

Pequenas dores no meu corpo

Fiquei parado por um longo tempo

E olha o que o tempo faz com a gente

Terminei a corrida, subi para o apartamento e fui direto tomar banho

Cinco minutos depois eu já havia comido duas bananas e estava no computador resolvendo o mundo

Não pensem que o blog é a única coisa que eu faço diariamente

Pois aprendi que tudo o que se é constante, se faz diariamente

E nessa construção toda muita coisa já foi feita

Então eu não paro

Pode cair o mundo mas eu não paro

Talvez seja o meu modo de batalhar hoje em dia

Mas a guerra por aqui também é real

Eu tenho muitas coisas para escrever

Se tu não ler logo menos estou no seu rádio te dizendo: ei, ame o mundo! olhe para dentro de si, me ligue, fale comigo, é tão bom quando você sorri

O mundo às vezes para de girar

E nisso os anjos ficam contemplando todas as cores desse movimento

Eles visualizam outras dimensões

E então o mundo retoma o seu giro

Mas agora para o lado oposto. Inversão do eixo magnético da terra. Sim, tudo vira um caos… mas a terra é cheia dessas coisas… os antigos sempre souberam. A gente que não sabe de nada atualmente…

Foram apagando os registros do mundo

Não sobrou muita coisa

Mas depois da confusão tudo isso retornará

Terminei os meus trabalhos antes do meio dia. Levantei para pensar em preparar algum almoço e você me ligava

Há mais de uma hora você me ligava

Dei um daqueles sorrisos e risada que soa com um leve suspiro rápido

Como assim? Eu não te ligo há anos

E você… não me liga há anos

Mas alô

Oi! Tudo bem aí?

Super. E aí? E a quarentena?

Loucura né?

Pois é

Quando eu posso te ver?

Agora durante a quarentena?

Quando você precisar?

Você está chorando?

Comecei a rir

Caralho

Você interpreta muito bem

Eu fiquei preocupado

Só liguei pra ouvir a sua voz e dizer que sonho com você há dias

A gente luta numa guerra, do mesmo lado

Eu acordo meio cansado mas supero esse buraco em seguida

Loucura, né

Me ligue mais

Ontem eu assisti o seu filme

Aquele que você deixou aqui

Lembrei exatamente daquela noite

A paleta de cores daquele luar

Os cheiros de você chegando

A sua mudança

Os filmes na sacola

A pizza que comemos durante a madrugada inteira de mordida em mordida

Conhecer você foi um processo

E eu evolui muito no meio disso

Posso te ligar outra vez daqui a pouco?

Me dá algumas horas

Preciso terminar um trabalho

Mas saiba que você me salvou com a sua voz

Eu não esperava por isso

E então você vem… me surpreendendo

Como você me vê nos seus sonhos?

Do jeito que eu estou sendo nessa vida ou do jeito que eu sempre fui?

Eu escrevi um soneto quando você desligou

Era assim:

Meu amor

Por favor, nuncas chores

Estou dançando a sua dança

E o ritmo é tu

Esse mundo pausado em quarentena

Seus olhos arregalados buscando vida

Me beije

Ah, meu amor

Quando você me ligou tantas coisas deixaram de existir

Tu me alegra tanto

E cada alegria desfaz uma dor antiga

Mas você… é o novo! Ah… quando você me ligou.

Igor Florim